quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reportagem Especial: Avanços no Mercado de Luxo Brasileiro


O Brasil gera hoje aproximadamente 1% dos lucros do mercado de luxo global, o que corresponde a 7,59 bilhões de dólares

Chanel, Hermès, Emilio Pucci, Burberry, Louboutin, Diane von Furstenberg, Jimmy Choo, Carolina Herrera, Marc Jacobs, Celine, Goyard, Alexander Wang e Isabel Marrant. Essas são algumas das grifes que se instalaram nos últimos dois anos em endereços nos Jardins ou em shoppings sofisticados como Iguatemi e Cidade Jardim, todos em São Paulo, onde se concentra o mercado de luxo brasileiro. A maior parte das grandes marcas estabeleceu-se de maneira autônoma, centralizando suas operações no Brasil.
O desenvolvimento anual deste segmento em nosso país – 22% no último ano – tem superado mercados mais estabelecidos: as vendas são agora quase o dobro de 2006. O mercado de varejo normal também obteve um crescimento considerável, chegando aos 11% em 2010.
Sobre o impulso do mercado de luxo no país, Bruno Pavlovsky, presidente da divisão de moda da Chanel no Brasil, comenta: “Este é o momento de consolidar a nossa presença lá, através do controle do funcionamento da rede de boutiques, como já fazemos em outros lugares”.

Segundo a publicação européia, Europa: Branded Consumer Goods: “Devido à estabilidade econômica, provocada pelos 8 anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva – que deverá continuar sob a presidência de Dilma Rousseff – existe um novo consumidor ávido de classe média”, denominado pela pesquisa como a “nova burguesia brasileira”. O relatório entregue em junho de 2010 para a Branded por Goldman Sachs revela que esses fatores políticos e econômicos podem impulsionar as vendas dos bens de luxo nessa próxima década que se inicia. Ainda segundo este relatório, as vendas de luxo no Brasil podem chegar a 6% do mercado global em 2025, ou seja, 63,5 bilhões de dólares.
Após 10 anos no comando da operação da Daslu – até então a maior casa de luxo do país – Bruno Pavlovsky assumiu em julho passado a gestão da Chanel. A primeira loja própria da grife se localiza no Shopping Cidade Jardim, no mesmo andar da primeira unidade da Hermès no país, que se estabeleceu ali em 2009. Já a Louis Vuitton é velha conhecida dos brasileiros, com loja no país desde 1999, tendo sido seguida, em 2001, pela Tiffany & Co e pela Ermenegildo Zegna.
Esse movimento de migração para endereço próprio teve impacto sobre os preços da Chanel, já que a marca eliminou intermediários.  Os valores despencaram em torno de 30% no pagamento parcelado, costume de compras dos brasileiros.
A Chanel abriu sua segunda loja, também em São Paulo, em novembro de 2010, contando com um espaço de 2.150 metros quadrados no Shopping Iguatemi. A loja foi projetada por Peter Marino, e está de frente para a Gucci, que inaugurou no mesmo mês, porém um ano antes. Acessórios e bolsas clássicas são o carro chefe dessa loja. A empresa acredita que assim irá atrair um maior número de clientes, uma vez que o endereço do Iguatemi é mais central, comparado ao do Shopping Cidade Jardim.

A clientela dos dois endereços difere muito, por vários móvitos. Por questões de acesso, de estacionamento, ou o preço do táxi para a região, que custa, em média, o valor de um almoço em um bom restaurante. O Cidade Jardim atrai apenas 15 mil clientes dia, mas que gastam em média R$ 2.800,00 por visita. Isso representa um terço de visitantes do Iguatemi, que em contra ponto realizam compras de valores menores.

No ano de 2011 as promessas para o Cidade Jardim são maiores, com a conclusão do projeto dos novos edifícios residenciais e de escritórios, e da nova estrada de acesso, que evitará a turbulência do trânsito paulistano. Essas são palavras de Pavlovsky, que também define o Shopping como: “Um novo shopping center ultraluxury”.

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